O adeus nunca dito (...)

Hoje, sou pedra que chora, vazia e fria.
Hoje deixei partir de mim aquele que está longe, não só em distância mas em pensamento e sentimentos!

A certeza do fim me consome, mas a incerteza do querer me intoxica.
Hoje sou pedra estática, que sente o vento passar por mim anunciando a tempestade.
Hoje, nem um sorriso do sol me bastaria para acalmar a madrugada fria
que há dentro de mim.Hoje, como estátua em pedra vejo a tempestade que se aproxima. Como todas as tempestades, ela traz destruição, mas ao mesmo tempo, molha os campos, alimenta o ser, traz sabedoria do céu. Como todas as tempestades, ela deve passar. Quanto mais violenta, mais rápida é a cura Maior o Arco Íris.
As lágrimas teimam em descer com a chuva,
como quem lava a alma para dar espaço ao novo.
Assim como quando se divide um minúsculo átomo e libera-se uma enorme energia, hoje liberto o meu ser da angústia do vazio, da distância, liberto o meu ser da dúvida do querer.

Hoje, caminho sozinha, já que cada caminho é único e cada destino é pessoal.
Hoje, como pedra, tenho medo de dar passos que não estão traçados, mas, apesar dos medos, ao final do dia busco forças para encontrar o melhor da vida, porque o destino será implacável com aqueles que viverem num universo que já acabou.
Hoje, não quero mais ser como a pedra, que se desgasta com o vento, quero ser o próprio vento, que voa livre aos quatro cantos. Sem bagagem, sem prisão, dançando com as folhas, sentindo o silêncio da noite.
Hoje, digo adeus a ti, no silêncio do meu interior.
Mas te levarei pra sempre, pois como uma chuva temporã traz felicidade, você me trouxe momentos felizes.
By Gisa