Sobras
E o que fica de tudo que foi vivenciado foram as sobras do que poderia ter sido melhor, na verdade, do que poderia ser e não foi.Ficam as lembranças de tudo que aconteceu, detalhadamente, tudo que foi falado, cada gesto de carinho, cada palavra dita em vão;
Sobra o que foi escrito, o que foi interpretado, digamos que, de maneira errônea.
Sobram as músicas com todas aquelas letras que fazem lembrar ainda mais do gosto, do cheiro, do corpo;
Restam as vontades de coisas não realizadas, os gosto das lágrimas que ainda caem e a dor que se instalou e não vai sair tão cedo.
Sobra tanta coisa que poderia ter sido bacana, que poderia ter feito feliz.
Ficam as vontades de mostrar lugares novos, de ter novas sensações.
Sobra também uma vontade de olhar nos olhos e falar, falar tudo que não deu tempo de ser dito em um ponto final pré-estabelecido.
Fora todas essas sobras e a bagunça que se instalou desde não sei quando, ainda fica a dor - sempre latente - e o sentir-se um pedaço de nada, um pedaço de folha de rascunho usada, amassada na lata do lixo, é essa a imagem que vejo no espelho.
Sobram, principalmente, os buracos emocionais por causa de um sentimento que nunca viu maldade, nunca quis ferir. Cada buraco pretende ser fechado vagarosamente, até que tenha apenas cicatrizes (que vão sangrar de vez em quando, por muito tempo). De tudo que sobra, essas cicatrizes são o que mais apavoram, por que sei que sempre estarão ali atormentando, cercando por todos os lados.
Sobras, quando olho pra trás - hoje do lado de fora -, vejo que era tudo podia ser oferecido. Não quero mais ter que precisar delas, mas quando terei forças para seguir sem dor?
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