
Esperar ansiosamente o telefone tocar. Se pegar sorrindo sozinha só por lembrar do fim de semana passado. Desenhar flores e corações nas folhas em branco que estão sobre a mesa. Escrever mensagens no celular e não ter coragem de mandar. Fazer planos para o futuro. Acreditar que é para sempre. Sonhar. Que adolescente não passa por tudo isso? Mas a surpresa vem mesmo quando essas sensações surgem e a adolescência já é parte do passado.
A estudante deu lugar à profissional competente e bem sucedida. Os boletins foram substituídos por contas a pagar. Loções para espinhas começam a perder lugar para cremes anti-idade. E os bebês, mesmo que ainda não existam ou não façam parte dos planos, estão mais próximos do tempo presente que as bonecas. Vida adulta completa e eis que surge, inesperadamente, aquela paixão capaz de acelerar os batimentos cardíacos, alterar o sono e fazer suspirar como aquela adolescente na foto do porta-retrato. Paixonite adolescente sim, por que não?
A mesma intensidade agora com mais experiência e segurança. Sem o devo ou não devo, o posso ou não posso e tantas outras dúvidas naturais a quem está apenas começando a descobrir, si próprio e os outros, a paixão pode ser, e é, melhor vivida. E depois? Depois é depois, ainda não veio. Mas quando vier, vem com uma vantagem: a experiência. A adolescência ensinou que quando acabar, se acabar, é sempre possível se apaixonar, mesmo que os 16, 17 anos tenham ficado bem para trás.
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