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quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Não te amo


Não te amo, quero-te: o amor vem d'alma.
E eu n 'alma – tenho a calma, 
A calma – do jazigo. 
Ai! não te amo, não. 
Não te amo, quero-te: o amor é vida. 
E a vida – nem sentida 
A trago eu já comigo. 
Ai, não te amo, não! 
Ai! não te amo, não; e só te quero
De um querer bruto e fero 
Que o sangue me devora, 
Não chega ao coração. 
Não te amo. És bela; e eu não te amo, ó bela.
Quem ama a aziaga estrela 
Que lhe luz na má hora
Da sua perdição? 
E quero-te, e não te amo, que é forçado,
De mau, feitiço azado 
Este indigno furor.
Mas oh! não te amo, não. 
E infame sou, porque te quero; e tanto
Que de mim tenho espanto, 
De ti medo e terror...
Mas amar!... não te amo, não.

(Almeida Garret) 
By Gisa

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