
Preciso ver-te,como Pégaso que busca o sol, ainda que tua proximidade me derreta, pois talvez seja este o meu destino. Preciso ver-te, ou serei viajante sem bússola, carcereiro de mim mesmo, cego sem horizontes nem auroras. Preciso ver-te para que possa encontrar algum sentido nas coisas e seres que me rodeiam e que falam de ti como miragem. Preciso ver-te. Barco na tempestade, nada temerei se tu, meu farol intermitente, me guiares com teu código de luz. Porque só sei amar às claras, não vou contentar-me com o obscuro. O vulto imaginado, sem essência, acaba se desvanecendo e cria um vazio, somatório de muitos nadas. Por tudo isso, preciso ver-te e provar-te, saber-te real, vívida, palpável, como também o é o meu amor, que ingeres, escondida, em tua mesa de silêncio. Por que tardas, se tanto sabes que preciso ver-te ? Gisela |
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