Sentimento sem nome
Já não tenho mais vontade.Nem de comer, nem de dormir,
Nem de andar, nem de falar,
Talvez a única vontade que mora em mim e não quer sair é a de chorar.
Eu acordo de manhã, depois de uma noite mal dormida, e lá vem ele, aquele nó na garganta inexplicável.
Tenho vontade de sair correndo pela rua, em busca de algum abrigo, algum lugar onde possa me esconder de meus próprios sentimentos, de meus próprios pensamentos.
Tenho vontade de não desejar o que desejo, pois tenho muito medo de desejá-lo, apesar de desejá-lo intensamente sempre.
E aí chega a tarde e tenho mais vontade de chorar, e quando chega a noite ela só aumenta, aumenta assustadoramente, simplesmente aumenta.
E as palavras somem de meu não muito vasto vocabulário,
E os verbos não têm mais vontade de serem conjugados por esses lábios, talvez um, o único que é proibido.
E tudo que vejo à minha volta está secando, menos as lágrimas que nunca secam.
Ah, que raiva das lágrimas que nunca secam!
Eu tenho raiva delas, assim como tenho vontade de gritar, gritar tão alto pra ver se toda essa dor passa, tenho vontade de acordar a casa, o prédio, o bairro com os meus gritos desesperados, mas eu grito por dentro e ninguém ouve.
Também tenho raiva dos gritos silenciosos, das súplicas inaudíveis.
Na verdade, tenho raiva de mim, muita raiva do que sou, do que falo e do que penso.
Tenho raiva de estar num mundo que não é o meu, tenho raiva de viver uma vida que com certeza não é a minha.
Tenho raiva de ser quem sou e de gostar do que gosto e como gosto.
Tenho raiva e ponto.
Tenho raiva e vontade de chorar e também tenho muito mais raiva das lágrimas.
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